OBRAS
Antoine Hércule Romuald Florence, natural de Nice, França em 1804. Faleceu em Campinas/SP em 1879. Desenhista, pintor, fotógrafo e litógrafo. Acompanhou a Expedição Langsdorff (1815/1819), documentando a natureza e os habitantes locais.
Foi reconhecido como um dos pioneiros mundiais, no invento e desenvolvimento da fotografia, do papel sensibilizado para registrar a fotografia e da máquina fotográfica. Antoine Hercule Romuald Florence, o nosso "Hércules Florence", quando tinha 16 anos, aficionado por desenho, viajou até Antuérpia, na Bélgica, para viver de retratos.
Como não conseguiu ganhar dinheiro, voltou a pé para Nice, França. Dois anos depois, alistado na Marinha Francesa, e com o único desejo de conhecer o mundo, aportou no Rio de Janeiro.
E não quis mais sair do Brasil. Arrumou emprego no comércio e só deixou o cargo ao ler um anúncio de jornal que procurava um segundo desenhista para "uma tal" "Expedição Langsdorff".
Foi aceito de imediato pela sua extrema habilidade em desenhar e aquarelar. Assim Hércules Florende, começaria a entrar para a história, era então, um jovem idealista de 21 anos, contratado para registrar, com a própria pena, as paisagens desbravadas pela famosa Expedição; uma "Expedição Científica" pelos rios brasileiros, realizada no Século XIX, mais precisamente de 1815 a 1819.
A Expedição foi financiada pelo Governo Russo e liderada pelo Barão Georg Herinrich Von Langsdorff. A saga de barco pelos rios brasileiros começou em Porto Feliz em 1825, e só terminou em Belém, no Pará em 1819.
O grupo era composto, por gente como o desenhista Adrien Taunnay, o astrônomo Nestor Rubtsov e outros cientistas e técnicos. Florence, um jovem aventureiro, tinha entrado para a história por obra do destino.
A Expedição cruzou os cerrados do Brasil central, o pantanal mato grossense, florestas tropicais intocáveis e entrou pela floresta Amazônica a dentro, "por caminhos antes dantes nunca navegados...". Sempre usando os rios como "estrada d'agua", assim eles navegaram pelo Taquari, Cuiabá, Paraguai, Guaporé, Madeira, Juruena, Tapajós e finalmente Amazonas.
Os pesquisadores conheceram vilas e aldeias, nunca antes vistas e/ou conhecidas e conheceram seus habitantes que não tinham nenhum contato com o mundo "dito civilizado". Os pesquisadores ficaram extasiados com as florestas, as cachoeiras, os rios caudalosos, cores e formas de uma flora desconhecida.
Hércules Florence registrava tudo com seu desenho rápido e preciso e as marcações de cores que mais tarde usaria para aquarelar. A morte do primeiro desenhista, Taunay, fez com que Hércules Florence assumisse o posto de titular à frente do "diário de bordo".
Ele desenhou espécies típicas da flora e da fauna brasileira e retratou as diversas etnias indígenas. Assim o macaco coatá e o pássaro acauã dividem as páginas com os índios bororós e apiacás.
Os desenhos de Hércules Florence são hoje documentos antropológicos de valor incalculável. Ele registrou índios pescando e cozinhando, pintando o rosto para cerimoniais ou acomodados em suas ocas.
Os cenários da viagem eram maravilhosos. O céu avermelhado pelo pôr-do-sol, a luz refletida nas águas do Rio Paraguai, os traços geológicos marcantes da hoje conhecida Chapada dos Guimarães, palmeiras, folhas, flores, arvoredos, pássaros e animais.
Da fauna registrou centenas de pássaros, alguns já extintos, dezenas de animais, alguns desconhecidos à época. Uma variedade impressionante de primatas... Cremos que Hércules Florence, ao ver tantas belezas, tantas paisagens se multiplicando ao longo do rio - "estrada d'água", tantas cachoeiras - cada uma mais bela do que a outra e nunca se repetindo.
Tanta riqueza vegetal e animal, numa profusão de imagens inéditas e uma variação de cores e tons de cores, tão ricos, que sua mão, mesmo super adestrada, não conseguia registrar em desenhos rápidos e marcações precisas e esboços que beiram a arte moderna. Certamente pensou: "Há seu eu tivesse um equipamento que em segundos registrassem cada olhar meu...".
Certamente quando voltou extasiado pela profusão de trabalhos feitos, que tinham que ser acabados, antes que de sua retina fugissem as formas e cores, ai neste momento seu subconsciente começou a desenvolver o protótipo da máquina fotográfica... Assim que a Expedição Langsdorff acabou, ele se mudou para a então Vila de São Carlos e passou a se dedicar às pesquisas que fizeram dele um dos pioneiros mundiais da fotografia.
Fonte de informação: Fonte de informação. Arquivo Dimas Garcia. Jornal Correio Popular de Campinas de 07/Maio/2008. Livro: "O Viajante Hércules Florence - Águas, Guanás e Guaranás" de Dayz Peixoto, Editora Pontes.
Fonte na Internet: www.unicamp.br - www.cotianet.com.br - www.itaucultural.org.br - www.girfamania.com.br - www.amigosdolivro.com.br - e outros.






