OBRAS
É natural de Campinas/SP, em 1920. Artista eclético por excelência, divagou pelo campo da pintura, da decoração, da publicidade, foi educador, cenógrafo e figurinista.
Sempre exerceu essas atividades em sua cidade natal. Porém destacou-se e firmou-se como artista contemporâneo, autodidata, pintor e desenhista nato.
Foi responsável pelo projeto de decoração do Teatro Municipal José de Castro Mendes de Campinas/SP e do Centro de Convivência Cultural de Campinas/SP. Como educador, destacou-se como orientador de jovens artistas em seu ateliê, tendo trabalhado com Geraldo de Souza, Raul Porto, Maria Helena Motta Paes e Francisco Biojone, entre outros.
Lecionou desenho na Escola de Desenho e Tecnologia de Campinas de 1940 a 1970. Já aos 10 anos de idade desenhava na calçada de sua casa com carvão de cozinha, as professoras o aproveitavam para fazer ilustrações no quadro negro.
Desenhava cenas do cotidiano e paisagens sobre papeis comuns usando lápis de cor, trabalhos estes que eram expostos na quitanda próxima a sua casa. É em 1944 o marco inicial de sua longa carreira profissional nas artes plásticas, quando participou pela primeira vez de um Salão Oficial, era o II Salão de Belas Artes de Campinas/SP, recebendo elogios da critica especializada.
Em 1945, no III Salão de Belas Artes de Campinas/SP, recebe o Primeiro Prêmio na Categoria Pastel. Passa então a participar ativamente do movimento artístico plástico, participando seguidamente dos Salões de Belas Artes, tendo recebido dezenas de prêmios.
Participando em 1952 do Salão Paulista de Belas Artes recebe a Pequena Medalha de Prata. Em 1953 recebe o Prêmio Aquisição - o maior prêmio do certame.
Era então um consagrado artista acadêmico. Mas em 1951 ao visitar a "I Bienal Internacional de São Paulo", fica surpreendido com a intrigante mensagem que lhe passava aqueles trabalhos contemporâneos.
Entende então que aquele era seu caminho, que teria que ousar mais em suas experiências, já iniciadas no início dos anos 50 com seu amigo Mário Bueno. Era o inicio da grande ruptura, o menino desenhista nato, o pintor pôr extinto, o acadêmico pôr excelência, abandonava o caminho já marcado e trilhado pôr tantos outros grandes artistas acadêmicos e se aventura no incrível mundo das artes contemporâneas.
Em 1953 numa Exposição no Átrio do Antigo Teatro Municipal de Campinas/SP, com Mário Bueno e Clovis Chagas; apresentam seus trabalhos modernistas causando a indignação nos meios acadêmicos que os chamavam de loucos. Em 1957 é realizado o "I Salão de Arte Contemporânea de Campinas", a semente germinará, já havia na cidade vários artistas modernistas.
Em 1958 um grupo de artistas, entre os quais Thomaz Perina, decidiram criar o "Grupo Vanguarda", com o objetivo de difundir a arte contemporânea em Campinas/SP e interior do Estado. A carreira modernista de Thomaz Perina é tão meteórica quanto a acadêmica, em 1959 recebe o Prêmio Lairner da Galeria das Folhas, o mais importante prêmio que existia na época.
Em 1960 recebe a Medalha de Prata do IX Salão Paulista de Arte Moderna e em 1961 recebe o Prêmio Governador do Estado, esta era então a maior Premiação Oficial do Salão Paulista de Arte Moderna. Era novamente a fama batendo em sua porta.
Thomaz Perina para surpresa geral abdica a fama, a possibilidade do sucesso e reconhecimento nacional e pôr que não internacional e assume a postura passiva de um simples artista de "província", porque não "caipira". Porém sua arte continua cada vez mais revolucionária, seguindo uma linha de coerência absoluta, norteia-se ao que parece na origem do primeiro gesto criador do "homem sapiens".
Traduzir em simples números o que Thomaz Perina fez nestes últimos 62 anos (1944/2006) é exercício utópico, hoje é difícil encontrar entre os artistas jovens ou novos artistas, aquele que não tenha se mirado nos exemplos de Thomaz Perina, tão grande a importância quanto o sucesso como artista é sua responsabilidade na geração continuada de novos valores. Thomaz Perina passará como todos nós passaremos, porém a história deverá lhe fazer justiça, é o mínimo que podemos fazer pelo "grande artista", esperemos que os "doutores" dos Institutos de Artes e Institutos de História das Universidades de Campinas/SP, façam justiça a quem começou o Movimento Modernista de Campinas, não importa os anos de atraso, em relação à Europa e mesmo ao Eixo Cultural Rio de Janeiro/RJ - São Paulo/SP, importa que ele começou porque ninguém havia tido a coragem de começar.
Fonte de informação: Catalogo “Grupo Vanguarda” Editado em 1981 pelo MIS Campinas, Coordenação/Pesquisa/Projeto Gráfico de Dayz Peixoto Fonseca; outras fontes “Arquivo Dimas Garcia”.
Fonte na Internet: http://iar.unicamp/itaucultural/juliolouzada/ e outros.









