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Egas Francisco (1957)

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OBRAS

Nome civil : Egas Francisco Sampaio de Souza, nasceu em São Paulo/SP em 1939, é incerto, porém parece que veio para Campinas/SP em 1947, onde iniciou seus estudos básicos. Artista por excelência autodidata. Começou suas vivências artísticas plásticas ainda criança, via e lia tudo o que lhe caia nas mãos sobre artes plásticas, já em Campinas freqüentava assiduamente o Centro de Ciências Letras e Artes. Porém era comum ir para São Paulo/SP, visitar exposições no MASP, MAM/SP e Pinacoteca do Estado, lugares onde colheu sólidas referências e orientações artísticas por observação. Começou a fazer o Ginásio no Culto à Ciência, mas teve que terminar os estudos na Bahia, onde fez Curso Normal. Motivo ? Foi expulso por rebeldia, porém Egas Francisco jura até hoje que foi injustiça. Mesmo assim foi o aluno mais jovem a escrever no Jornal do Culto à Ciência. Com onze anos já escrevia no jornal do Colégio. Segundo Egas Francisco, ele não é um artista campineiro, para ele o artista é de lugar nenhum. “Não sou artista de Campinas, eu apenas moro em Campinas”. Porém reconhece que deve a Campinas a cenografia de seus trabalhos. Se tivermos que citar um pintor que mais retratou a real e o irreal, a graça e a desgraça dessa cidade, esse pintor foi ele. A sua pintura está vinculada de fato com a sua vida em Campinas. A função da arte é ser arte mesmo. Nada sobrevive sem ser aquilo que é mesmo. Egas Francisco não defende ideologias, defende a humanidade. Egas Francisco é um operário do seu trabalho. Egas Francisco nunca descobriu que queria pintar, simplesmente desenhava e pintava desde criança. Não foi uma decisão racional. Quando deu por si já estava preso à pintura. A sua primeira obra ? O seu primeiro desenho deve ser contemporâneo da sua primeira palavra. Autodidata, pintor figurativo expressionista, aquarelista, que não ignora as experiências abstratas, Egas Francisco é tudo isso, mas rechaça todos os rótulos. Sua primeira exposição foi aos 18 anos de idade, na Galeria do Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA), em Campinas. Na década de 70 trabalhou com crianças, dava um curso de pintura infantil no Centro de Ciências, Letras e Artes. Naquele tempo o CCLA era freqüentado por intelectuais e jovens artistas. E eu praticamente fui educado no CCLA, Eu também dava aula para engraxates, por conta do curso de pintura infantil do Centro de Ciências. As aulas eram feitas no Largo do Rosário, onde os engraxates trabalhavam. Naquela época, engraxate era profissão de menor ou de deficiente. Ele dava aulas ao ar livre para estes meninos. Aqueles meninos não sabiam nem assinar o nome, é claro que eu ia ensiná-los. Eu ensinei um menino cego a pegar ônibus sozinho. Trabalha ouvindo música o tempo todo. Ouve muita música erudita, jazz, blues, Elza Soares, Elis Regina, não tem preconceito. A música, para ele, é arte mais rica que existe. Sobretudo no Brasil. A música é a arte do brasileiro. A música popular brasileira, na sua opinião, é a melhor música popular do mundo. Para Egas Francisco a arte não se aprende em universidades, ninguém aprende arte na escola. “Você pode desenvolver as suas qualidades se você for bem orientado por pessoas competentes que saibam respeitar os seus sinais”. Egas nunca fez um curso superior, nunca sentiu necessidade, ele é simplesmente um artista plástico. Egas Francisco realiza poucas exposições, pois é difícil, conseguir os bons Espaços Expositivos Públicos, principalmente com a política cultural vigente, não hoje, mas sempre. Porém em 1960 na Livraria Macunaíma em São Paulo/SP, fez sua primeira individual; 1976 fez sua primeira individual no MACCampinas, em 1982 sua segunda individual no MACCampinas, a última foi em 2002, diz Egas : foi uma exposição bem montada, com um catálogo bem elaborado, fiquei muito grato porque finalmente a Prefeitura fez uma exposição onde eu consegui mostrar o meu trabalho em toda sua dimensão. Tive um espaço condizente com a quadratura dos meus quadros, a distancia permitia que o observador se posicionasse bem para observar meus trabalhos, enfim, deu para montar uma exposição razoável. Quantas obras Egas Francisco já pintou ? É quase impossível saber, só no seu ateliê, tem mais de 400 telas. Mas no seu ateliê ele só tem os trabalhos mais recentes, feitos nos últimos cinco ou seis anos. Egas Francisco tentou, arrumar um espaço público para fazer uma reserva técnica, mas nunca lhe deram atenção. Um Ex Secretário da Cultura, lhe deu atenção . . . , em termos. Esteve no seu ateliê, conversou sobre o assunto, entendeu ser justa suas preocupações, mas . . . , nada aconteceu. Egas Francisco pleiteava um abandonado barracão da antiga Fepasa, o espaço chegou a ser até escolhido. Esse barracão seria restaurado e ali se instalaria uma Fundação, com meus trabalhos, mediante a doação de obras para a comunidade. A sua grande preocupação era a preservação do seu trabalho. Muitos artistas morreram antes de deixar uma obra extensa, mas ele ainda esta vivo. Se ele morrer amanhã, não sabemos o que vai acontecer com seu acervo. Talvez, os mais de 400 trabalhos fiquem apodrecendo, jogados em um canto qualquer. Por isso acha que deveria ter um espaço digno enquanto ainda esta vivo e produzindo, e mais, entende, que todos os artistas “que da lei da morte (ou do anonimato) vão se libertando”, deveriam ter idêntico tratamento. Segundo Egas Francisco, hoje uma obra para ser considerada arte pelos ditos competentes, que são os curadores, os críticos, seja lá o que for, ela tem que ser condizente com um discurso que corresponda ao que foi elaborado lá fora. E isso acontece em tudo: na pintura, na música, na arte cênica, no cinema, na música, enfim em todas as manifestações culturais. Não. A arte não tem nada a ver com teorias pré concebidas, montadas sob o estigma do gosto. O artista, mas o artista mesmo, será sempre incompreendido. A arte não é feita para ser compreendida, mas sentida, assimilada, digerida. Egas Francisco começou a trabalhar a Europa em 1985, em 04 de maio de 1985, fez uma Individual na Galeria L’Arte Modello em Genova, Itália. Um critico de arte italiano, Felice Ballero, foi ver a exposição e publicou no “Corriere Mercantile” uma apreciação ilustrada, a matéria recomendava a exposição de Egas “às pessoas que admiram a pintura de caráter”. Hoje Egas é muito divulgado na Europa, especialmente na Itália, onde já expôs várias vezes, possui ainda obras no México, Estados Unidos, França, Alemanha e Holanda, entre outros. Na Europa Egas Francisco é muito respeitado. Sobretudo na Alemanha e na Itália. Vai fazer a sétima exposição individual, na Alemanha. Na Itália morou durante um ano. Nesse período participou de seis individuais e catorze coletivas. Na Espanha foi contemplado com a medalha Garcia Lorca. Mas Egas Francisco entende que deve ser uma falha sua, não se comunica muito com as pessoas, não telefona para as pessoas. Às vezes pensa muito na pessoa, se ilude imaginando que a pessoa também pensa nele e acabo não procurando. Conclui “a pintura me afasta muito das pessoas”. Como nenhum outro pintor, Egas Francisco recriou, nas telas, a cidade e os seus personagens urbanos. Pode ser considerado o maior artista vivo de Campinas. Atualmente vive sozinho em seu ateliê, onde produz incansavelmente todos os dias. Entende que as pessoas podem concluir o que ele pensa sobre arte, talvez com mais facilidade do que ele mesmo, através das pinturas que deixa. Agora, fundamentalmente, acho que a arte está em quase todas as coisas. A arte está onde aparentemente não se vê. E o artista é aquele que vê a arte, que percebe a arte e é capaz de traduzir, através da pintura, da música ou da poesia, essa impressão diante do mundo. As pessoas que o conhecem mal o consideram sereno. Mas Egas Francisco, por ser verdadeiramente um artista, é um rebelde.

Fonte de informação: Informações obtidas pela Internet e Docs./ Arquivo de Dimas Garcia.
 

Fonte na Internet: http://www.egasfrancisco.com.br