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Ton Geuer (1960)

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 OBRAS

Natural de Soest, Holanda aos 22 de dezembro de 1920. De família de vitralistas, o avô Heinrich e o pai Frederik (Fritz), eram vitralistas conhecidos na Alemanha e no Norte da Holanda no final do Século XIX e início do Século XX, o holandês Ton Geuer, demorou para seguir a tradição familiar.

A história começa no final do Século XIX, com o avô alemão, Heinrich Geuer, fazendo vitrais na famosa Catedral de Colônia. Aconteceu que o Bispo de Utrecht, cidade do Centro da Holanda, Monsenhor Van Heukeln, responsável pelo renascimento da fé católica no Norte da Holanda, começou a requisitar artistas para fazer os vitrais das suas igrejas.

O avô de Ton Geuer, transfere-se então para a Holanda, juntamente com outros artistas e lá se estabelece. O pai de Ton Geuer, Fritz Geuer, continuando a tradição paterna, foi para a Alemanha estudar arte na Universidade de Munique e depois voltou para a Holanda, onde se casou.

Ton Geuer, nasceu na cidade de Soest, perto de Utrecht, na Holanda, e desde criança conviveu com vitrais. Seu pai foi um revolucionário na matéria.

Ele introduziu o vitral moderno e por isso quase foi abandonado pela Igreja. Só recomeçou a fazer vitrais na Bolívia, para onde foi em 1936.

Ton Geuer, gosta de explicar, "há vários estilos de vitrais, o clássico, pintado como se fosse um quadro a óleo, o neo-gótico onde o chumbo é pouco usado, e o moderno, introduzido por meu pai com desenhos mais arrojados". O artista explica que, evidentemente, o vitralista pode trabalhar, pode pintar no vidro, mas ele se afasta do valor do material - o vidro - para mostrar apenas uma capacidade técnica.

Lembra que depois que artistas famosos, como o arquiteto Corbusier, os artistas plásticos Bracque e Chagall começaram a se dedicar a essa arte, o vitral tomou novos rumos, começou a existir como expressão autônoma. "O vitral faz parte da arquitetura, não é uma arte aplicada, mas uma arte funcional".

Mas ainda que Ton Geuer tenha aprendido a técnica do vitral com o pai, ele só vai se iniciar nesta arte aqui no Brasil na Década de 60. Não se considera um artista como o seu avô, seu pai, seus tios e os irmãos.

Tanto assim que na Bolívia, para onde a família se transferiu fugindo do nazismo. E Ton explica : "Nós não somos judeus, mas meu pai não gostou dos nazistas fazendo queimas de livros, e além disso minha mãe era uma pacifista fanática".

Tom viveu 23 anos com os pais, fez outras coisas : laticínios, cerâmica, tear, tapeçaria. Já casado e com cinco filhos pequenos, Tom Geuer é obrigado a desistir de morar na Bolívia, onde seus negócios começaram a não ir bem.

Ton tinha, então, várias opções : ir para o Canadá onde estavam dois irmãos, dois outros estavam na Holanda, um estava na Alemanha, um nos Estados Unidos e outro no Sul do Brasil. Para a Europa ele não queria voltar, pensou no Canadá e no Brasil; havia lido numa revista polonesa sobre Irmãs da Lúmen Christi ensinando cerâmica na Holambra.

Pensou, quero conhecer aquilo. Assim, antes de ir para o Canadá, resolveu dar uma chegada no Brasil.

Pegou o famoso "Trem da Morte" em Santa Cruz de La Sierra e foi até Corumbá/MS. E, já no trem, falando em castelhano era entendido pelos brasileiros.

Finalmente se sentiu em casa. "Eu preciso explicar isso.

Acontece que durante minha infância e adolescência meu pai foi várias vezes para a Alemanha, ele ficava entre a Holanda e a Alemanha, trabalhando. E nós éramos "os holandeses" na Alemanha e os "alemães" na Holanda.

Na Bolívia nós éramos os "gringos". Quer dizer nunca tive pátria, nunca senti que eu tinha uma nacionalidade.

E em Corumbá/MS, falando castelhano com brasileiros me senti em casa". Ali mesmo, em Corumbá/MS, Ton decidiu que ficaria no Brasil, gostou do povo e se encantou com a terra.

Só começou a trabalhar com vitrais aos quarenta anos e, para sorte nossa aqui em Campinas/SP, mais precisamente em Barão Geraldo, onde vive desde que chegou ao Brasil. Sua casa, que é também seu atelier e sua oficina, é espaçosa, clara, de tijolos à vista, rodeada de plantas que ele a mulher e as filhas cultivam.

Contrariando o ditado popular : "casa de ferreiro espeto de pau . . . ", é também, a sua casa, cheia de vitrais, com criações premiadas, amostras de trabalhos que dão uma panorâmica de toda a trajetória do artista, desde o início com os vitrais, já com desenhos de figuras apenas sugeridas, passando pelas pesquisas em vidro, até chegar às suas criações que inovam na arte : os vitrais com vidros incolores de diferentes texturas, sucesso absoluto na decoração de interiores que ele apresentou pela primeira vez na Casa Decor 1996 em Campinas/SP. Ainda tem em acervo de belos vitrais que Ton criou para as Igrejas não só de Campinas/SP e Região, mas de várias cidades do País.

Aos 86 anos, diz ele, ainda não ser o momento de fazer um balanço. Quantos trabalhos foram realizados nesses últimos 46 anos ? Ton Geuer, faz um rápido exercício de memória, mais de 200 vitrais para igrejas e mais de 300 para residências.

Como não se via morando numa colônia holandesa, Ton pensou em Campinas/SP ou Jaguariúna/SP; acabou ficando em Barão Geraldo. Colocou um anúncio nos jornais, se oferecendo como técnico em cerâmica e vitralista.

Foi então que encontrou um padre holandês que estava em missão numa igreja da Vila Industrial, o Padre Jans Schuur, que, conhecendo a fama da família Geuer, vai incentivá-lo a começar para valer nos vitrais. Mas, antes, Ton teve que lutar contra o "trust do vidro".

O negócio de vitrais naquela época era monopolizado pela Casa Conrado e mais duas de São Paulo/SP, sendo que só a Casa Conrado era responsável por 95% da produção de vitrais no Brasil. Mas como não há mal que sempre dure, um dia a Casa Conrado entrou em concordata e por ironia do destino quem ajudou o velho Conrado a se recupera foi Ton, que durante cinco anos arranjou encomendas para ele, assinava contratos enfim era o representante da Casa Conrado.

Até comprou grande parte do material da casa rival. O fato é que Ton foi em frente.

No começo, só ele e a mulher, depois, já formando equipe. Chegou a ter 23 funcionários.

Hoje, tem 15 e está definitivamente consolidado como vitralista, aliás o único da cidade com tradição técnica e um dos poucos do Brasil. Só para se avaliar a raridade desta modalidade artística, vale lembrar que há atualmente seis vitralistas no Brasil : o Studio Conrado em São Paulo/SP, o Mansur em Itu/SP, seu irmão Paulo Geuer em Porto Alegre/RS, Frederik Geuer, seu filho em São Paulo/SP, sua filha Yolanda Geuer Castel em Ribeirão Preto/SP e Ton Geuer em Campinas/SP.

Se você quizer ver os vitrais de Ton, vai ter que fazer um "tour" pela igrejas de Campinas/SP, os vitrais de praticamente todas as igrejas de Campinas/SP são seus ou foram restaurados por ele, como os da Igreja Santa Rita de Cássia na Nova Campinas, os da Nossa Senhora do Carmo e o paravento da Catedral Metropolitana de Campinas/SP..

Ele também tem obras em várias cidades da Região e em outros Estados do Brasil. Os primeiros vitrais criados por Ton foram os da Igreja São José da Vila Industrial, onde usou vidros importados de antigas casas demolidas.

São seus ainda os vitrais da Igreja Divino Salvador, que ele considera os mais bonitos, os da Capela São Tomás de Aquino da Escola de Cadetes, os da Igreja Cristo Rei no Jardim Chapadão, os do Seminário Protestante da General Osório, da Igreja Presbiteriana Independente da Rua Lusitana, os da Igreja Santa Edwiges do Jardim Aurélia, Igreja Santa Isabel de Barão Geraldo, da Igreja do Rosário do Jardim Guanabara, da Igreja Nossa Senhora Aparecida no Jardim Proença, os da Igreja do Nazareno na José Paulino, os da Igreja São Roque da Vila Industrial, os da Igreja Santa Terezinha do Parque Industrial, os da Igreja Quadrangular de Bairro São Bernardo, todos em Campinas. Tem também trabalhos fora de Campinas/SP como os da Capela do Santíssimo da Matriz São José de Mogi Mirim/SP, os da Igreja Divino Salvador de Holambra/SP, os da Nossa Senhora de Fátima de Mogi Guaçu/SP, os do Santuário Nossa Senhora Aparecida de Presidente Prudente/SP, os da Igreja Nossa Senhora de Guadalupe em Brasília/DF, os da Escola Dom Bosco de Piracicaba/SP, os da Igreja Nossa Senhora Medianeira de Sorocaba/SP, os da Igreja Sagrada Família em Limeira/SP, os vitrais do Centro de Retiro Santa fá de São Paulo/SP, os das Igreja Quadrangular de Curitiba/PR, e muitos outros.

Ton restaurou e recuperou os belos vitrais da Igreja do Liceu Nossa Senhora Auxiliadora da Guanabara em Campinas/SP, fez ainda as janelas com vidro e concreto da Igreja Santana no Bairro Santa Isabel de Barão Geraldo utilizando fundos de garrafas. O resultado ficou surpreendente.

Mas de todos esses trabalhos, Ton considera o mais revolucionário, o vitral que fez na Igreja de Santana em Valinhos/SP. Segundo Ton seus primeiros vitrais tinham um pouco da influência do avô e do pai, daquela ideologia medieval de Chartres.

"Sempre achei os desenhos belgas, holandeses e mesmo os italianos muito teatrais. Queria fazer uma coisa mais real, mais simples, o que consegui em Valinhos/SP.

O trabalho de Ton Geuer certamente não morrera, com o seu passar, hoje suas três filhas trabalham com ele, Mathilde é a responsável pela produção e supervisão dos trabalhos da equipe, composta por Ton, 15 ajudantes aprendizes, inclusive duas estudantes de artes plásticas da UNICAMP e mais duas filhas : Tinike e Marianna. É Mariana que fica na administração e a Tinike coordena os trabalhos de restauração.

As filhas estão também fazendo um trabalho de levantamento e cadastramento de todos os trabalhos feitos por Ton, que ainda trabalha, com uma energia e uma criatividade incrível, apesar dos seus 86 anos.

Fonte de informação: Informações arquivo Dimas Garcia./ Revista encarte do Correio Popular, reportagens de João Batista César em 22 de março de 1998 e reportagem Ana Lucia Vasconcellos em 18 fevereiro de 2001. 

Fonte na Internet: Não disponível.