OBRAS
Natural de São Paulo/SP em 1942, nasceu no Bairro do Ipiranga, bem perto do Museu do Ipiranga, Ainda quando criança, seu pai o levava a passear pelos Jardins e a visitar o Museu do Ipiranga, A criança, se deslumbrava com as pinturas e esculturas. O artista nato, não consegue mais ficar longe dos lápis de cor e do papel.
Passou pela escola regular, desenhando e pintando, o que lhe valeu alguns prêmios escolares. Quando passou a trabalhar "com carteira assinada", gastou boa parte do seu primeiro salário, comprando tintas e pinceis no então Empório Artístico Michelangelo.
Pintava sem qualquer orientação, pintava intuitivamente, visitava regularmente exposições de pinturas, ficava horas tentando descobrir os mistérios da arte de pintar. Lentamente as técnicas foram assimiladas pelo futuro artistas, porém era um autodidata, um caçador de ilusões pictóricas.
O jovem artista era atrevido. Em 1966, decidiu tentar entrar no XV Salão Paulista de Arte Moderna, tradicional evento que acontecia na Galeria Prestes Maia.
Conta Zé Cordeiro, "embrulhei os quadros e fui me inscrever, tinha até fila, na fila conheci o José Antônio da Silva, um dos maiores pintores primitivos brasileiros". "Entreguei meus quadros timidamente, pois tinha vergonha de exibi-los e me mandei."
"Pelo Jornal o Estado de São Paulo fiquei sabendo que tinha sido selecionado. Não acreditei.
Só me convenci quando chegou pelos correios a comunicação e o convite para a inauguração do Salão." Na exposição, com seu gênio expansivo, e com a ajuda de José Antônio da Silva, conheceu Waldomiro de Deus, Aldemir Martins e Volpi e tantos outros artistas plásticos.
Na exposição observador atento e anônimo se colocou na frente de seus quadros para ouvir as opiniões dos visitante, chamou-lhe a atenção uma observação : "Mas então o Cordeiro agora faz isso ?" Conversando com os novos amigos, logo ficou clara a confusão. O jovem pintor estava sendo confundido com o famoso pintor concretista de origem italiana Waldemar Cordeiro.
Em 1968, ao participar da Primeira Feira de Arte Contemporânea da Associação Internacional de Artistas Plásticos; onde participam entre outros Waldomiro de Deus, Manabu Mabe e Cássio M'Boi; foi aconselhado por este, para passar assinar seus quadros como "Zé Cordeiro", para não ser mais confundido, pelos menos atentos, com o famoso Waldemar Cordeiro. Nascia o artista plástico "Zé Cordeiro", agora já mais confiante, assumindo sua pintura regionalista, seguindo orientação de Aldemir Martins, foi para Recife, fez longas viagens pelo sertão nordestino para pesquisar a vida dos cangaceiros, beatos e vaqueiros.
A temática de Zé Cordeiro foi então tomando o formato das fortes imagens do sertão nordestino, seus usos e costumes, na realidade era a manifestação da herança genética levando-o de volta à suas origens ou a origem inicial de seus familiares. Zé Cordeiro é um irrequieto pintor.
Em 1969 estuda gravura com Paulo Mentem. Em 1970 se envolve em grandes eventos orientado pelo Professos Carlos Von Schmidt, ficando conhecendo o leiloeiro Irineu Ângulo que se apaixona por seus trabalhos.
Em 1974, funda a equipe de gravadores da Rod'Arte e ingressa na Bienal Internacional de São Paulo sob a orientação de Radha Abramo, não como gravador, mas sim com sua pintura regionalista. Ainda em 1974, conhece Edna de Araraquara, passa a viver com ela e mudam-se para a Bahia.
Zé Cordeiro tem uma característica rara, apesar de estudar e conhecer outras técnicas pictóricas, não muda sua forma nativa de pintar, ao contrário a inriquece. Em 1975, volta para São Paulo/SP, abre um ateliê de serigrafias em Diadema/SP, onde fabrica telas para impressão de serigrafia, trabalho então inovador.
Paralelamente a Rod'Arte começa a ter uma grande adesão de operários artistas. Esse esforço resulta, em 1976, no projeto "Arte para o Povo", com gravuras penduradas em cordéis, exposições e conferências relâmpago em praças públicas de bairros operários, portas de fábricas e cemitérios de automóveis.
Dois anos depois, monta, com Edna, um ateliê no Largo do Arouche. No ano seguinte, realiza, em São Paulo, na Maison de France, o lançamento do calendário Glassurit, com apresentação do crítico Jos Luyten, e exposição dos quadros que ilustram o calendário.
Em 1979, o casal foi residir na cidade de Santos, SP. Os cais com suas boates, marujos bêbados e mulheres na zona boêmia mudaram minha temática", descreve.
"Comecei a pintar cenas com casas de prostituição, carregadores dos armazéns de café, malandros e prostitutas. A vida do grande porto, enfim.
" No começo dos anos 1980, vai pela primeira vez para a Europa, com a ajuda do consulado brasileiro e do ministro da cultura da Itália, Zé Cordeiro e Waldomiro de Deus organizam a exposição Mito e magia del Colore no Castel dell'Ovo, em Nápoles, Itália. Vai para a Iugoslávia, onde participou de diversas coletivas.
Ainda em 1980, Zé Cordeiro e Edna mudam-se para Campinas/SP. E abrem a Casa da Arte Brasileira, que funcionou, simultaneamente, como ateliê, escola de artes plásticas e galeria de arte, abrindo um grande espaço para a divulgação e a expansão de diversas manifestações artísticas e culturais.
Em Campinas/SP, Zé Cordeiro assumiu a função de grande "agitador cultural". Segundo Dimas Garcia, a Década de 1980 a 1989, sob a batuta de Zé Cordeiro, foi uma das Décadas mais efervescentes da cultura artística plástica de Campinas/SP.
Em 1987, Zé Cordeiro viaja para Milano, Nápoles e Suíça. Os anos 1990 indicam novos caminhos.
O casal viaja para Paris com o objetivo de participar da Expo/90 da Unesco, onde representa o Brasil. Zé Cordeiro e Edna moram temporariamente em Roma e Paris, incluindo uma exposição na Alemanha.
Eles decidem, no entanto, que Portugal será a sua pátria. E como dois bons "gira mundos", mudam-se para Portugal. Os olhos encantados de Zé Cordeiro, parecem ter esquecido o encantamento das paisagens brasileiras. Começa a vagar pelos becos e vielas da Lisboa antiga e a sentir o odor do peixe fresco e do assar das brasas das churrasqueiras nas calçadas dos restaurantes populares.
Tudo invadiu a sua vida, seu cotidiana e a passou a fazer parte da sua nova realidade. O Bairro Alto, a Mouraria e a Alfama surgem como personagens da pintura de Zé Cordeiro.
Os "elétricos" a descer e subir as ladeiras, as meninas do Sodré a sorrir convidativas dentro da noite, os lamentos dos fadistas castiços, as conversas dos malandros em volta de copos nos balcões de madeira, o cheiro da fritura dos pastéis de bacalhau e os primeiros cafés abertos nas manhãs de sol. Após mais de 360 exposições por Brasil, Portugal, EUA, Chile, Canadá, Itália, Alemanha, França, Inglaterra, Espanha, Angola, Moçambique, Cabo Verde e Iugoslávia, Zé Cordeiro tem uma sólida carreira e muita história para contar.
Desde os efervescentes anos 1960 e 1970, quando conviveu com grandes artistas, escritores, poetas, músicos, como Chico da Silva, Manezinho Araújo e Walter Levy até sua presente jornada por terras portuguesas, ele viveu de tudo, passando por várias fases. Zé Cordeiro, um pintor sem estilo, ou melhor, com estilo de Zé Cordeiro.
Fonte de informação: Dados obtidos de texto de Oscar D’Ambrosio. Jornalista, crítico de arte e autor do livro “Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus” (Editora UNESP). Mais arquivo Dimas Garcia.
Fonte na Internet: Não disponível.









