OBRAS
É o nome artístico de Antônio Roseno de Lima, natural de Alexandrina/RN em 22 de junho de 1926, não sabemos a data que se transferiu para Campinas/SP. Porém morava nos últimos anos na Favela Três Maria em Campinas/SP, aonde veio a falecer em 27 de junho de 1998; como sempre viveu: analfabeto, pobre, favelado e abandonado.
Sobre o artista o Professor e Artista Plástico Geraldo Porto, que o descobriu em 1988 e o revelou para o mundo das artes plásticas e usou sua história e seu trabalho como tese de seu Doutorado defendido na UNICAMP. Assim falou: Antonio Roseno de Lima.
"A R L, como assinava seus quadros, foi um artista brasileiro que apesar da precariedade de sua condição de analfabeto, favelado e doente, ficou conhecido pela comovedora simplicidade de sua vasta obra artística. Durante seu longo período de criatividade produziu inúmeras fotografias, desenhos, pinturas sobre madeiras e latas que catava no lixo.
Sua abra marcada por profunda sensibilidade foi reconhecida e permanecerá." Descoberto por Geraldo Porto, em 1988, na favela Três Maria, na periferia de Campinas/SP, Roseno saiu do anonimato para tomar de assalto o cenário das artes plásticas.
Primeiro de Campinas/SP, depois de São Paulo/SP, onde debutou em 1991, na Galeria Triângulo. Em 1993, voltou a expor na Galeria Triângulo obtendo um sucesso impar.
"Roseno virou de cara um artista "cult"". "Afirma Trevisan, Galerista da Triângulo".
Em 1996, assistido por Geraldo Porto, participou do IV Studio Unesp, Sesc, Senai de Tecnologias de Imagens, evento que reuniu trabalhos de 130 artistas de 11 países, que aconteceu em 12 de abril de 1996 no Sesc Pompéia de São Paulo/SP. Roseno começou a pintar quando ainda era fotógrafo.
Seu estúdio, em São Paulo/SP, chamava-se "Foto Santo Antônio". Insatisfeito com os retratos em preto e branco, Roseno coloria-os, realçando os detalhes e concedendo uma nova dinâmica às fotos.
Hoje, Roseno não fotografa mais. Sua mulher, Soledade, diz que ele não tem tempo para as fotos. Roseno rebate: "Eu tenho tempo, o que não tenho é dinheiro.". Os "padrinhos" de Roseno, já em 1996, tinham agendado para o segundo semestre duas exposições individuais na Alemanha, o artista plástico iria mostrar seus trabalhos na Galeria de Arte Hochster Schlossplatz em Frankfurt e no Centro Cultural Romanische Buchhandlung em Berlin. Além das mostrar Roseno seria incluído no Catálogo do Museu Haus Cajeth de Heidelberg.
Não sabemos se os projetos aconteceram. O que é certo que em 1997, Roseno, tinha voltado ao ostracismo miserável e estava internado em um humilde asilo para velhos, em Hortolândia/SP, juntamente com sua mulher, Soledade.
Em 27 de junho de 1998, cinco dias após completar 72 anos, morreu Antônio Roseno de Lima, em sua mísera casa e cama na Favela Três Maria, uma das favelas mais pobres da periferia de Campinas/SP. Roseno teve uma morte melancólica e indigna.
Própria do desrespeito com que o ser humano trata seus semelhantes. Típica do desprezo reservado a outros grandes artistas brasileiros. Na tarde, do dia 27 de junho de 1998, "enquanto o Brasil ansiava por uma exibição do outrora futebol arte", o corpo de Roseno ainda permanecia no Instituto Médico Legal, no Cemitério dos Amarais, para ser reclamado por alguém ou ser enterrado como indigente. No dia 05 de agosto de 1998, na Galeria de Arte da UNICAMP, houve uma exposição homenagem a Roseno (1926/1998).
Nascido pobre e enterrado a 40 dias, desta exposição. Numa triste manhã de domingo sem qualquer pompa, é alvo de mostra panorâmica com obras pertencentes à coleção do Professor do Instituto de Artes da UNICAMP, o artista plástico Geraldo Porto.
As garras do mercado de arte entram em confronto com a essência da arte. A vida artística de Roseno, do momento que foi descoberto e revelado, até o momento que morreu e foi enterrado, e "homenageado" com esta exposição no Instituto de Artes da UNICAMP, é típica e característica de como se trata um simples, pobre e humilde valor intelectual brasileiro: "como se fosse simplesmente papel higiênico".
A história de Roseno, a verdadeira história, do seu rápido e curto percurso artístico plástico, de 1988 a 1998, não pode ser escrita e muito menos divulgada, é triste demais, é vergonhoso demais, o "papel higiênico marca Roseno" teve sua triste hora e vez.
Fonte de informação: Arquivo Dimas Garcia. Baseada em uma série de reportagens do Caderno C do Correio Popular de Campinas/SP, nunca contestadas.
Fonte na Internet: Em breve









