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Zandra Miranda (1995)

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Zandra Miranda é o nome artístico de Zandra Coelho de Miranda Santos. Nasceu em Campinas, mas elegeu Três Corações/MG, a sua cidade, onde residiu parte da infância e da juventude.

Voltou para Campinas ao ingressar no curso de Economia da Unicamp. Mas o destino mudou sua vida. "Não durei um ano no curso e a única herança dele foi o meu marido. Ele já tinha percebido que a economia não era para mim, pois me via desenhando o tempo todo, sobretudo nas aulas de cálculo", recorda.

Fez então a graduação em Artes Plásticas no Instituto de Artes da UNICAMP, além do bacharelado e da licenciatura. Em 1995, ao concluir o curso, entrou no mestrado na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

Fez um projeto em arte educação na pós-graduação em Poéticas Visuais, mesma linha que norteou o seu doutorado na Unicamp. "Percebi que tanto a gravura quanto a cerâmica eram técnicas muito exigentes.

Cheguei a fazer cerâmica tradicional, trabalhando com tornos e tudo o mais. Agora faço gravura em cerâmica com matrizes em gesso e confesso que nunca ouvi dizer de alguém que tenha feito gravura em cerâmica, nem na literatura", constata.

O trabalho - gravura em cerâmica, que é totalmente inédito - lança-se como um convite da autora ao encontro "caótico" com a cerâmica, com a gravura e obviamente com o fogo. A exposição "Impressões em Cerâmica" realizada na Galeria de Arte da UNICAMP mostrou vistosas "mandalas", que dão a idéia de um ciclo da natureza, e instalações que, de tão trabalhosas, levaram uma semana para serem montadas.

Tendo como característica fragmentos de uma composição com amplas possibilidades de montagem e que empregam sementes de flamboyant, jacarandá, raízes de pau-ferro e plantas de brejo. A cerâmica de que fala Zandra é um material de grande estabilidade, resistente ao tempo, e mais até que o metal.

"Pode ser utilizado "ad eternum", brinca a artista. Ao falar sobre a pesquisa de ponta em cerâmica, revela uma de suas facetas, talvez a mais diferente do momento.

"Pode ser adotada como material biocompatível na área de Medicina". "Alguém que tenha quebrado a perna tem a chance de ter um novo pedaço de osso moldado em cerâmica, o qual se integra perfeitamente ao todo".

Também pode ser aplicada em pontas de foguetes, condutores elétricos, isolantes térmicos, na decoração de casas, jardins e até de Igrejas, como peças ritualísticas. A cerâmica cai bem ainda em painéis externos, peças públicas e até sendo cimentada em parede.

A gravura, segundo Zandra, foi historicamente a técnica que veio atender a uma necessidade de reprodução do saber - tanto que já Gutenberg as ilustrava em livros. Depois, esta técnica foi se desdobrando.

Vieram então a xilogravura, a gravura em metal, a litogravura e a fotografia. Ela faz um trabalho interessante: o raku. Trata-se de uma queima que começou no Japão com a família Raku, que deu origem ao nome da técnica.

Por sua vez, ela foi trazida pelos ocidentais, introduzindo o conceito de câmara de redução. As peças, conta ela, são levadas a um forno a 1.000 graus célsius e são tiradas de lá incandescentes com a ajuda de pinças.

São colocadas na câmara de redução e cobertas com serragem, folhas secas e material orgânico seco. O material orgânico vai continuar queimando e, como não existe entrada de ar, o fogo, ao invés de consumir o oxigênio do ar, vai consumir o oxigênio molecular dos esmaltes e óxidos utilizados na entintagem.

O resultado é imprevisível: o mesmo ingrediente - o óxido de cobre - adquire diferentes tonalidades, do alaranjado ao rosa-choque, azul intenso e cinzas metálicas. "O efeito retrata o caos, proposto por ela na exposição.

As pessoas que apreciam a arte e a natureza vão gostar muito". Além da cerâmica, ela atua em pinturas com terra, como num trabalho garimpeiro. Sai desenhando paisagens e recolhendo terra de várias nuances que, misturada com cola e tinta, traz um efeito muito aprazível.

Zandra usa igualmente justaposições a partir de bambuzal e frisos. Para "mexer com o fogo". Usa também fazer fornos à base de cupim, atividade bastante comum em áreas agrícolas.

O objetivo dela com sua arte é fechar um ciclo de trabalho e mostrar a ponte processual que pode ser realizada com a gravura. "É uma investigação que não encerra aqui...".

Zandra já participou de dezenas de Salões Oficiais e outra dezena de Exposições entre Individuais e |Coletivas. Entre seus últimos feitos esta ser classificada para participar do "seleto" Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba/SP em 2006 e 2007, tendo recebido o Premio Aquisição em 2006.

Fonte de informação: Portal da UNICAMP. Matéria de Isabel Gardenal, Fotos de Antônio Scarpinetti e Edição de Imagens de Natan Santiago.

Fonte na Internet: Em breve